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Cidade cresceu cercada pela cana-de-açúcar, atividade que está na origem dos problemas com registro imobiliário do município


Goiana tem uma área total de 502 quilômetros quadrados de área, equivalente a duas vezes e meia à extensão territorial do Recife. Mas enquanto a cidade da Mata Norte tem 150 habitantes por quilômetro quadrado, na capital 7.037 pessoas se espremem em um espaço equivalente. A questão são as usinas, que ocupam a maior parte do território de Goiana. Elas são o grande motivo para a falta de registros imobiliários no município.
A cidade que representa o novo futuro brilhante do Estado tem um longo vínculo com a cana-de-açúcar, um passado que deformou seu futuro. Ela cresceu espremida entre grandes latifúndios. E, apesar da grande extensão territorial, na área urbana se concentram 58 mil de seus 71 mil habitantes.
“Nós somos rodeados de usineiros, de usinas, que não vendiam, não doavam, não faziam nada (com as terras). Nós crescemos bitolados”, explica Carlos Torres, titular do 1º Ofício de Notas e Registro de Imóveis de Goiana.
Para não repassar o problema da falta de registros para as multinacionais, a prefeitura e também o governo estadual têm feito desapropriações.
Para as demais empresas interessadas em se instalar na cidade, as alternativas são aceitar a negociação precária apenas com recibo e contrato, entrar na lista de espera ou embarcar em um dos três bairros planejados que brotaram na cidade.
Se o perfil do interessado em se instalar para Goiana é de profissionais e trabalhadores, a população tem driblado as limitações aos negócios com uma saída curiosa: até alugando a própria casa.
“Eu nem queria alugar. Mas colocaram um preço que me fez repensar. A gente tem que aproveitar a chance que a cidade está tendo, né? Esse tipo de coisa é que nem carreira de cantor. O sucesso vem e depois acaba”, conta Marli Silva, 50 anos, autônoma.
Ela conta que foi procurada através da cunhada, que decidiu fazer a mesma coisa e também alugar a própria moradia. “O contrato envolveu até a mobília”, detalha Marli.
O comerciante Moabe Balbino, 44 anos, diz que os preços do mercado imobiliário de Goiana dispararam. O dinheiro já está circulando na cidade.
“A economia está muito bem. Minhas vendas estão cada dia melhores”, afirma Moabe.
Em junho passado, o comerciante foi entrevistado pelo JC e contou sua história. Ele passou cinco anos trabalhando com a venda de bicicletas e vivia com as mãos sujas de graxa. O comércio está na família desde seu pai, que há 60 anos vendia carne no mercado público e nos anos 70 passou pelo ramo de móveis e eletrodomésticos.
Depois de muito insistir no negócio de bicicletas, Moabe resolveu seguir a atividade do pai e em 2010 resolveu abrir uma loja de móveis para escritório. No início do ano passado, ele tinha dois funcionários. Hoje são cinco. 
“As coisas andaram e estão bem. Temos muitos clientes novos: escritórios de construtoras, de advocacia, empresa que faz terraplenagem. Cada uma chega trazendo outras”, detalha Balbino.

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