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Messi só marcou nos acréscimos. Foto: Adrian Dennis/AFP
Messi só marcou nos acréscimos. Foto: Adrian Dennis/AFP

O cenário no Mineirão estava pronto para uma festa argentina, mas o que se viu foi um verdadeiro sufoco. O estádio em Belo Horizonte estava tomado pelo azul e branco da torcida, o ídolo Maradona estava nas arquibancadas, mas nada disso contagiou a seleção da Argentina, que penou e empatava em 0 a 0 com o Irã até os acréscimos. Mas a equipe tem Messi. Apagado durante 90 minutos, ele apareceu aos 45 do segundo tempo para marcar o gol heroico que selou a vitória por 1 a 0, neste sábado, e garantiu a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo.
 
E os comandados de Alejandro Sabella podem ficar muito satisfeitos pelo resultado porque as melhores chances da partida foram do Irã. Depois de um primeiro tempo em que os argentinos passaram quase o tempo todo no campo de ataque e esbarraram na retranca adversária, no segundo os iranianos se soltaram, ganharam confiança, foram para cima e só não marcaram porque pararam no goleiro Romero. Quando quase não havia mais esperança Messi mostrou o que faz dele um dos melhores de todos os tempos.
 
O gol salvador deve tirar um pouco a pressão de uma torcida que apoiou sua seleção o tempo todo, ignorou o péssimo desempenho e não parou de cantar, mas deve ter saído do estádio insatisfeita com a exibição. Após o apito final, ela pôde celebrar a vaga, já que Argentina chegou aos seis pontos e não pode mais ser ultrapassada por duas equipes da chave.
 
Na última rodada da primeira fase, os argentinos duelam contra a Nigéria, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e podem inclusive já ter a liderança do grupo garantida, dependendo do resultado do duelo entre nigerianos e bósnios ainda neste sábado. Já os iranianos, castigados pela genialidade de Messi, têm um ponto e duelam também na quarta contra a Bósnia-Herzegovina, na Arena Fonte Nova, em Salvador.
 
O JOGO - O Irã mostrou desde o primeiro minuto que atuaria extremamente fechado. Di María, com muita habilidade e agilidade era a válvula de escape da Argentina. O meia do Real Madrid entortava os zagueiros adversários e acabava com a monotonia do ataque argentino. Faltava, no entanto, o mesmo comportamento de seus companheiros, que pareciam aceitar a forte marcação e só tocavam de lado.
 
O primeiro bom momento, no entanto, surgiu de uma bola esticada por Gago, que achou Higuaín na área, mas o atacante foi abafado por Haghighi aos 12 minutos. Aos 21, Di María encontrou Higuaín, que ajeitou para Agüero chegar batendo. O goleiro iraniano desta vez precisou voar no ângulo esquerdo para pegar. Mais dois minutos e Rojo quase marcou de cabeça, jogando rente à trave após escanteio.
 
A pressão era intensa, a Argentina já não encontrava tanta dificuldade para atravessar a marcação iraniana e o gol parecia questão de tempo. Mas logo o Irã voltou a colocar os 11 jogadores de sua intermediária defensiva para trás e aumentou o problema para os argentinos. Em bolas paradas, Messi, que jogou por cima, e Garay, que aproveitou falta batida da esquerda, até passaram perto.
 
Mas a Argentina fazia muito pouco para transformar os 75% de posse de bola no primeiro tempo em gol. Para piorar, o Irã terminou a etapa empolgado, depois de assustar em um escanteio que Hosseini cabeceou com muito perigo, aos 42 minutos. Na volta do intervalo, o time asiático quase marcou com Ghoochannejhad, que cabeceou em cima de Romero após rápido contra-ataque.
 
O que estava ruim no primeiro tempo ficou ainda pior no segundo para a Argentina, que sequer incomodava o gol adversário. Somente quando Messi arrancou do meio e bateu com perigo da entrada da área, aos 14 minutos, o torcedor voltou a ter motivos para se empolgar. A torcida, aliás, seguia empurrando o time de Alejandro Sabella mesmo com a péssima atuação em campo.
 
O jogo ganhava contornos dramáticos porque o segundo tempo era todo do Irã, que criava as melhores chances. Aos 18 minutos, Hajsafi arriscou de longe, a bola desviou e quase surpreendeu Romero. Na cobrança de escanteio, a zaga bobeou e a sobra ficou no meio da área, pingando, até que alguém aparecesse para afastar.
 
O Irã gostava do jogo e já dominava, até que aos 21 minutos teve a melhor chance da partida. Montazeri cruzou de longe, pela direita, Dejagah aproveitou cochilo de Zabaleta, se antecipou ao lateral e cabeceou bem. Romero, adiantado, precisou se esticar todo para desviar por cima.
 
Foi a última chance do Irã porque logo a equipe voltou a recuar e esperar a Argentina. Por sua vez, o time de Sabella foi para cima, mas seguia sem criatividade alguma, dependiam de bolas alçadas na área e chutes de longe para tentar algo. Aos 40 minutos, Ghoochannejhad ainda quase marcou, em contra-ataque rápido iraniano, mas parou mais uma vez em Romero.
 
Quando o clima já era de desânimo na seleção argentina e o estádio começava a se calar, brilhou a estrela de Lionel Messi. Aos 45 minutos, o atacante recebeu pela direita, como aconteceu tantas vezes durante a partida. Nesta, no entanto, mostrou toda sua qualidade. Com agilidade, cortou o zagueiro armando para a perna esquerda. Com a categoria costumeira, finalizou no ângulo direito do goleiro, selando a vitória.
 
FICHA TÉCNICA
 
ARGENTINA 1 x 0 IRÃ
 
ARGENTINA - Romero; Zabaleta, Garay, Federico Fernández e Marcos Rojo; Mascherano, Gago e Di María (Biglia); Messi, Agüero (Lavezzi) e Higuaín (Higuaín). Técnico: Alejandro Sabella.
 
IRÃ - Alireza Haghighi; Hosseini, Montazeri, Sadeghi e Pooladi; Teymourian, Nekounam, Hajsafi (Reza Haghighi), Shojaei (Heydari) e Dejagah (Alireza); Ghoochannejhad. Técnico: Carlos Queiroz.
 
GOL - Messi, aos 45 minutos do segundo tempo.
 
CARTÕES AMARELOS - Nekounam e Shojaei (Irã).
 
ÁRBITRO - Milorad Mazic (Fifa/Sérvia).
 
RENDA - Não disponível.
 
PÚBLICO - 57.698 torcedores.
 
LOCAL - Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG).
 
fonte: Agência Estado

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